terça-feira, 26 de março de 2013

Soundbar: uma caixa que vale por cinco


Soundbar: uma caixa que vale por cinco

22/03/2013, por Redação HT
Indicadas para quartos ou pequenos ambientes, as soundbars simulam áudio multicanal a partir de uma única unidade.
Uma única barra que simula o som de vários alto-falantes. Esse é o conceito por trás das caixas soundbar (ou surroundbar), que começam a se popularizar no Brasil. As razões são muitas. Em primeiro lugar, a variedade de modelos vem aumentando consideravelmente, refletindo o aumento do interesse por esse tipo de solução. Dos grandes fabricantes às marcas que atendem ao público mais exigente, o mercado se rendeu ao charme das soundbars.
Companhia perfeita para os TVs atuais, essas caixas costumam acompanhar o design das telas finas, principalmente em relação à profundidade. Por isso mesmo, ficam ainda mais elegantes na parede, posicionadas abaixo do televisor.
Mas em que ocasiões a escolha por uma soundbar pode valer a pena? Na realidade, surgem como uma alternativa para quem espera mais do que o som dos próprios TVs, mas não tem espaço para (ou não quer) instalar um sistema básico de home theater, com duas caixas frontais, uma central e duas surround. Seduzem também pela praticidade de integrar alto-falantes (e até funções de receiver e um player Blu-ray 3D, dependendo do modelo) em um único gabinete, diminuindo o número de cabos e facilitando a instalação.
O detalhe é que a simulação multicanal, por melhor que seja, não pode ser comparada ao resultado obtido com um sistema 5.1, composto por caixas independentes corretamente posicionadas. Ao montar um home theater completo, a chance de reproduzir o som original com mais fidelidade é muito maior, especialmente se forem modelos de boa qualidade. Por isso mesmo, o uso das soundbars é indicado como uma alternativa prática e moderna (mas limitada) para ambientes pequenos, geralmente quartos ou cômodos de até 15m2.

TIPOS
As caixas soundbar não são todas iguais. Em geral, existem modelos de dois tipos. Alguns deles, como da Philips e da LG, já trazem amplificador e processadores internos, dispensando a conexão de um receiver ao sistema. Nesse caso, quase sempre a amplificação é classe D, pois utiliza circuitos compactos (ideais para controlar a profundidade do gabinete) para liberar potências mais altas com baixo consumo de energia. Esse tipo de solução também costuma incorporar funções de receiver e até um leitor de discos Blu-ray 3D (modelos mais avançados).
Paralelamente, há uma segunda categoria de produto, que concentra a maior parte dos modelos. São as caixas acústicas em formato de régua que não apresentam amplificação própria. Por isso, precisam ser alimentadas por um amplificador ou receiver externo. Aqui, procure ficar atento à divisão de canais. Existem soundbars com entradas para dois, três ou até cinco canais (dois frontais, um central e dois traseiros). Quanto maior a variedade de entradas de áudio que podem ser utilizadas com o receiver, melhor será o aproveitamento das trilhas Dolby Digital e DTS, exigindo menos dos processamentos para obter uma simulação multicanal mais convincente.
Ao adicionar um receiver (mesmo que básico) ao sistema, o usuário também ganha na variedade de conexões. Qualquer modelo à venda nas lojas pode receber com folga todas as fontes do seu home theater, incluindo decoder de TV paga, player Blu-ray, videogame e outros aparelhos.

ALTO-FALANTES
É uma característica importante na escolha de uma soundbar. O ideal é que apresente pelo menos cinco, correspondendo ao número comum de canais de um home theater. Algumas caixas trazem sete ou até mais alto-falantes. Lá fora, a Yamaha, por exemplo, aposta na tecnologia Digital Sound Projector. Esse conceito está baseado em uma série de pequenos alto-falantes acomodados em um único gabinete e que projetam o áudio para pontos diferentes da sala, reforçando a sensação de envolvimento.
Como precisam chegar ao ouvinte de forma direcional, os sons frontais (principalmente os diálogos, tradicionalmente reproduzidos pela caixa central) são facilmente reproduzidos pelas caixas soundbar. Recomenda-se apenas que essas caixas sejam instaladas preservando a altura dos ouvidos dos espectadores quando sentados no sofá.
O grande desafio está na simulação surround. Mesmo localizados nas extremidades da soundbar, os alto-falantes responsáveis pela reprodução dos sons secundários (que devem envolver o espectador) também ficam acomodados no mesmo gabinete onde estão os demais, na parte frontal da sala.
O segredo está nos processamentos DSP (de Digital Signal Processing), que simulam a ambientação a partir de atrasos (delays) e cancelamentos sonoros. O resultado é uma suposta reverberação natural (eco), que pode ser beneficiada pelos rebatimentos das ondas nas paredes, reforçando a sensação de que existem caixas acústicas atrás do sofá. Em testes práticos, nossa equipe comprovou que ambientes com paredes simétricas e mais equilibrados acusticamente tendem a ressaltar de fato essa simulação de envolvimento em 360º.
O processador DSP também pode comandar a divisão e a intensidade dos sons de acordo com os falantes, que assumem o papel de cada canal. Com isso, o som acaba sendo liberado conforme as informações contidas no conteúdo exibido. Se o som da cena se passa na parte central da tela (caso dos diálogos, por exemplo) será reproduzido apenas pelo alto-falante central da soundbar; já os tiros que chegam da parte esquerda só chegarão ao ouvinte a partir do alto-falante esquerdo, e assim por diante.

SUBWOOFER
Mesmo capazes de responder bem às altas e médias frequências, as caixas soundbars não atingem o mesmo rendimento na reprodução dos sons graves. As próprias limitações de tamanho de seus alto-falantes já sugerem o uso de um subwoofer externo. Alguns modelos, geralmente dos grandes fabricantes, já vêm com seu próprio sub, que pode até ser um modelo sem fio, reduzindo ainda mais a quantidade de cabos pelo ambiente. Dê preferência às marcas que oferecem subwoofer ativo, para evitar o “roubo” de potência do módulo principal.

Nos demais casos, a escolha do subwoofer, que será conectado ao receiver do sistema, fica a critério do usuário. Na dúvida, procure por modelos da mesma linha da soundbar ou peça indicação ao instalador de sua confiança. 

SIMULAÇÃO SURROUND
Enganar o cérebro! Esse é o trunfo dos fabricantes de caixas soundbar para criar a sensação virtual de que os sons surround surgem na parte de trás (e não na frente) da sala. Imagine um barulho do seu lado esquerdo. O som viaja rapidamente através do ar e atinge o seu ouvido esquerdo: milésimos de segundo depois, chega ao outro ouvido. Além de atrasado, o som perde força do lado direito, devido à dissipação natural da onda e à inevitável absorção pelo corpo ou outros materiais.
É justamente essa diferença de pressão sonora (ILD – Interaural Level Difference) e de tempo (ITD – Interaural Time Difference) que nos faz ter certeza de que o som surgiu do lado esquerdo. O mesmo conceito se aplica às soundbars, que aproveitam as diferenças de volume e tempo para ampliar a sensação de envolvimento. Quanto maior o tempo de atraso, maior a impressão de que o som está sendo reproduzido dos lados; quanto menor esse tempo, mais centralizado será o som.
Mas, para que a simulação seja mais real, é preciso ainda eliminar o chamado crosstalk. Esse fenômeno ocorre quando ouvimos o som de um único canal com os dois ouvidos ao mesmo tempo. Normalmente, o ouvido esquerdo escuta diretamente o som do canal esquerdo e o direito reproduz o áudio com fase invertida (e vice-versa), além dos sons de menor importância dentro da cena. Com o processo físico de cancelamento do som com a fase invertida, apenas os efeitos secundários serão ouvidos do lado direito da plateia, preservando as intenções do diretor durante a elaboração da trilha de áudio.

TOME NOTA
- Antes de definir o local de instalação da soundbar, observe se a caixa não vai cobrir o sensor de IR (sinal infravermelho) do seu televisor, dificultando o comando do aparelho através do controle remoto;
- Não dá para comparar a simulação surround das soundbars com o desempenho de um sistema básico com caixas traseiras independentes. A função das “barras de som” é ampliar o campo sonoro, dando a impressão de que o som se espalha para uma área maior da sala. Mas, como toda simulação, o processo tem suas limitações;
- Se o modelo escolhido não trouxer conexão HDMI, a dica é ligar todos os itens do home theater diretamente no televisor e usar a saída de áudio do TV para conectar-se à soundbar;
- Fixa na parede, a soundbar deixa o ambiente mais leve e moderno. Todos os modelos permitem esse tipo de instalação; a maioria já vem com suporte.

*Texto original publicado na edição 198 da revista HT&CD, de novembro de 2012.

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