quinta-feira, 28 de março de 2013

Automação residencial que cabe no bolso


28/03/2013, por Arthur Pradella
Os sistemas inteligentes estão cada vez mais acessíveis. Mostramos o que você já pode ter sem gastar muito!

Enormes quantias de dinheiro, reformas estressantes, fios para todo lado. No mundo da automação residencial, esses elementos já são figuras do passado. Há cinco anos, era difícil cogitar um projeto nesta área com menos de R$ 50 mil. De lá pra cá, a evolução natural das tecnologias criou uma reação em cadeia em todo o setor, fazendo surgir soluções mais personalizadas e, ao mesmo tempo, melhores e mais baratas.
Boa parte dessa popularização tem uma grande dívida com um tipo específico de tecnologia: a sem fio. Graças ao avanço e ao surgimento de diferentes padrões de comunicação wireless, fabricantes e integradores foram capazes de criar mais – e melhores – soluções integradas, que não requerem grandes trabalhos na infraestrutura da casa para instalação, e muito menos reformas na hora de expandir os sistemas.
Contribuiu também para a redução nos preços o fato de as soluções terem se tornado muito mais adaptadas a cada caso. Hoje é possível, por exemplo, entrar no mundo da automação com menos de R$ 1.000, ao comprar um controle universal, que pode ser configurado pelo próprio usuário (não necessita de um instalador), capaz de agrupar vários comandos em um só botão, de modo que basta um clique para diminuir as luzes, ligar o TV e o som, fechar as persianas e regular o ar condicionado.

“No Brasil, hoje, existem muito mais opções do que no passado”, explica o especialista em automação residencial Paulo Dal Bó. “Há alguns anos o país tinha duas ou três empresas nacionais atuando no setor, e eram todas embrionárias. Esse número cresceu bastante, e as empresas aprenderam rápido”, observa. 

Para o diretor no Brasil da Z-Wave (uma das marcas de tecnologia mais difundidas em automação no mundo), Jean de Simone, as soluções mais acessíveis servem como uma espécie de aperitivo. “As empresas oferecem algo que o usuário possa testar e ver o quanto aquilo vai lhe render em conforto, praticidade, segurança e até em economia de gastos. E, a partir daí, certamente vai querer algo mais”, diz o executivo.

O que você pode ter hojeEm automação residencial, o céu é o limite em termos de gastos e possibilidades. Quanto mais você quiser automatizar, mais vai gastar. Assumindo, contudo, que você não pretenda vender seu carro para tornar a casa mais inteligente, há no mercado brasileiro opções bastante acessíveis que oferecem bons níveis de automação.
Os equipamentos mais básicos são os controles remotos universais, que em geral custam de R$ 400 a R$ 800. E se engana quem pensa que eles só servem para controlar múltiplos equipamentos. A vantagem é a programação dos chamados macros (vários comandos a um só toque). A gaúcha Multimport vende um desses modelos, da Accoustic Research, a R$ 690. “O usuário pode configurar sozinho, basta ter um pouco de tempo, mas é bastante intuitivo”, explica o diretor e proprietário da importadora, Augusto Boz.
Para quem deseja algo um pouco mais completo, a Neocontrol, por exemplo, vende um kit básico (chamado Host) com quatro itens que, juntos, controlam todos os equipamentos de áudio e vídeo na sala. A partir de R$ 4 mil, o usuário adquire uma caixa com uma central (cérebro do sistema), um IR Blaster (que emite os sinais infravermelhos para os equipamentos), um keypad de seis teclas e um plug de tomada que, ligado a eletrodomésticos (como a cafeteira), deixa o usuário ligar e desligar os aparelhos a distância (o plug se comunica com a central que, por sua vez, está conectada à rede doméstica). 

A empresa inovou ainda no modelo de venda desse produto. “Acreditamos que há uma tendência de mudança no setor e por isso colocamos o kit para ser vendido no varejo”, conta o gerente de Comunicação da Neocontrol, Leonardo Ferreira Magalhães. Hoje, o sistema Host pode ser encontrado em lojas da Leroy Merlin, por exemplo.
A um preço um pouco maior – mas ainda assim baixo para os padrões de automação – é possível encontrar soluções de fabricantes estrangeiros trazidas por distribuidoras nacionais, como a Munddo. A empresa trouxe ao Brasil a marca Fibaro, que possui equipamentos com comandos baseados em dados da internet e até em sistemas GPS. 
Neste caso, com R$ 5 mil é possível adquirir uma solução básica com uma central e quatro módulos, e inclusive desfrutar um pouco do grande diferencial da Fibaro. “Por ter funções baseadas em GPS, dá para programar elementos da casa, como alarmes, iluminação, temperatura e equipamentos de áudio e vídeo, para serem ligados ou desligados a partir da mera proximidade física”, esclarece o diretor da Munddo, Vinicius Bastos. “Quando você está chegando em casa, o alarme desliga, as luzes do hall acendem e o TV liga sozinho no canal da sua preferência”.
A partir da faixa de R$ 6 mil, a distribuidora Disac oferece produtos da Control4, uma das marcas mais renomadas no mundo nesta área. Com eles, ganha destaque a programação de cenas. “Ao abrir a porta de casa, as luzes de determinados cômodos se acendem sozinhas e uma música guardada no sistema começa a tocar em volume agradável”, cita um exemplo do que seria possível com as soluções da Disac o diretor da área de automação da empresa, Eduardo Medeiros de Almeida. 

Nessa faixa de preço, o usuário consegue também funções de segurança. “Você pode programar, por exemplo, que quando a porta for aberta de tal a tal horário, um torpedo seja enviado ao seu celular”, destaca o diretor.
Outras empresas como Chiave, Crestron, SBUS e Bticino também trabalham com produtos personalizados que podem ser adquiridos com um valor de investimento relativamente baixo.
“Os equipamentos hoje são muito mais baratos, graças ao avanço da informática, e o consumo aumentou bastante”, declara o diretor da Chiave Distribuidora, Paulo Mendes. Para ele, o mercado está apenas começando a crescer. “A curva está só no início, e o pico está quatro ou cinco anos no futuro”, diz.

Sem fio e com apelo ecológicoA aposta para os próximos anos em grande parte das empresas está nas tecnologias sem fio: a maioria delas hoje oferece esse tipo de recurso por ser mais fácil de instalar e, portanto, mais acessível à maioria das pessoas. “Da forma como está hoje, as automações cabeadas vão ter que encontrar outro caminho”, declara Paulo Mendes, da Chiave. Paulo Dal Bó, por outro lado, pensa diferente. “Tanto o sem fio quanto a cabeada ainda têm espaço. As obras maiores e mais complexas tendem a ser com cabos, até por uma questão de reduzir custos, que se tornam muito altos em projetos grandes. Nas pequenas automações, no entanto, a tendência é em direção ao sem fio”, pondera.
O que parece ser unanimidade entre fabricantes e especialistas é a questão ecológica. Sistemas que monitoram o uso de energia em toda a casa e, com base nesses dados, reduzem automaticamente consumos desnecessários estão em alta. É o caso de uma solução da Flex Automation, empresa nacional criada por Jean de Simone, diretor da Z-Wave no Brasil. “Nossa linha de Smart Energy, que monitora e elimina o chamado ‘consumo fantasma’ já está sendo vendida para construtoras, para ser embutida no valor total de casas e apartamentos”, diz o empresário.

O fator sustentabilidade somado ao apelo de reduzir os gastos com energia deve se tornar ainda mais forte nos próximos anos e, quando se leva em conta o contínuo avanço tecnológico e o bom momento que as empresas da área vivem, o futuro para a automação parece ser promissor. “Mesmo tendo crescido muito, o mercado no Brasil ainda é embrionário e tem um espaço enorme para se tornar bem maior”, afirma Dal Bó. 
Quem quer saber mais sobre esse mundo de automação residencial não pode deixar de ler o encarte que virá com a próxima edição da revista HT&CD, em abril.
*Texto original publicado na edição 199 da revista HT&CD, de dezembro de 2012.

Estudo: TV é a plataforma que mais cresce para uso de internet


Estudo: TV é a plataforma que mais cresce para uso de internet

Por  | 28 de Março de 2013 
Smart TV
O eletrônico que cresce mais rápido hoje quando se trata de uso da internet é o TV, e não mais o tablet. É o que mostra uma pesquisa global da Netbiscuits. Segundo o estudo, o uso de televisores conectados para acessar a web cresceu 138% nos últimos seis meses, contra 50% de crescimento dos tablets e apenas 4% dos smartphones.
Em números absolutos, no entanto, as posições são inversas ao ranking de velocidade de crescimento. O TV ainda tem um papel relativamente pequeno no uso de internet, enquanto o tablet ocupa uma posição intermediária e o os celulares têm o domínio absoluto (em alguns continentes alcançam mais de 90%). O estudo não considerou o uso de computadores.
A pesquisa concluiu ainda que o uso da internet nos TVs tem servido, por enquanto, apenas para complementar as navegações do internauta, e não representa, ainda, uma ameaça para tablets e smartpones nesse sentido.
Fonte: The Register


terça-feira, 26 de março de 2013

Soundbar: uma caixa que vale por cinco


Soundbar: uma caixa que vale por cinco

22/03/2013, por Redação HT
Indicadas para quartos ou pequenos ambientes, as soundbars simulam áudio multicanal a partir de uma única unidade.
Uma única barra que simula o som de vários alto-falantes. Esse é o conceito por trás das caixas soundbar (ou surroundbar), que começam a se popularizar no Brasil. As razões são muitas. Em primeiro lugar, a variedade de modelos vem aumentando consideravelmente, refletindo o aumento do interesse por esse tipo de solução. Dos grandes fabricantes às marcas que atendem ao público mais exigente, o mercado se rendeu ao charme das soundbars.
Companhia perfeita para os TVs atuais, essas caixas costumam acompanhar o design das telas finas, principalmente em relação à profundidade. Por isso mesmo, ficam ainda mais elegantes na parede, posicionadas abaixo do televisor.
Mas em que ocasiões a escolha por uma soundbar pode valer a pena? Na realidade, surgem como uma alternativa para quem espera mais do que o som dos próprios TVs, mas não tem espaço para (ou não quer) instalar um sistema básico de home theater, com duas caixas frontais, uma central e duas surround. Seduzem também pela praticidade de integrar alto-falantes (e até funções de receiver e um player Blu-ray 3D, dependendo do modelo) em um único gabinete, diminuindo o número de cabos e facilitando a instalação.
O detalhe é que a simulação multicanal, por melhor que seja, não pode ser comparada ao resultado obtido com um sistema 5.1, composto por caixas independentes corretamente posicionadas. Ao montar um home theater completo, a chance de reproduzir o som original com mais fidelidade é muito maior, especialmente se forem modelos de boa qualidade. Por isso mesmo, o uso das soundbars é indicado como uma alternativa prática e moderna (mas limitada) para ambientes pequenos, geralmente quartos ou cômodos de até 15m2.

TIPOS
As caixas soundbar não são todas iguais. Em geral, existem modelos de dois tipos. Alguns deles, como da Philips e da LG, já trazem amplificador e processadores internos, dispensando a conexão de um receiver ao sistema. Nesse caso, quase sempre a amplificação é classe D, pois utiliza circuitos compactos (ideais para controlar a profundidade do gabinete) para liberar potências mais altas com baixo consumo de energia. Esse tipo de solução também costuma incorporar funções de receiver e até um leitor de discos Blu-ray 3D (modelos mais avançados).
Paralelamente, há uma segunda categoria de produto, que concentra a maior parte dos modelos. São as caixas acústicas em formato de régua que não apresentam amplificação própria. Por isso, precisam ser alimentadas por um amplificador ou receiver externo. Aqui, procure ficar atento à divisão de canais. Existem soundbars com entradas para dois, três ou até cinco canais (dois frontais, um central e dois traseiros). Quanto maior a variedade de entradas de áudio que podem ser utilizadas com o receiver, melhor será o aproveitamento das trilhas Dolby Digital e DTS, exigindo menos dos processamentos para obter uma simulação multicanal mais convincente.
Ao adicionar um receiver (mesmo que básico) ao sistema, o usuário também ganha na variedade de conexões. Qualquer modelo à venda nas lojas pode receber com folga todas as fontes do seu home theater, incluindo decoder de TV paga, player Blu-ray, videogame e outros aparelhos.

ALTO-FALANTES
É uma característica importante na escolha de uma soundbar. O ideal é que apresente pelo menos cinco, correspondendo ao número comum de canais de um home theater. Algumas caixas trazem sete ou até mais alto-falantes. Lá fora, a Yamaha, por exemplo, aposta na tecnologia Digital Sound Projector. Esse conceito está baseado em uma série de pequenos alto-falantes acomodados em um único gabinete e que projetam o áudio para pontos diferentes da sala, reforçando a sensação de envolvimento.
Como precisam chegar ao ouvinte de forma direcional, os sons frontais (principalmente os diálogos, tradicionalmente reproduzidos pela caixa central) são facilmente reproduzidos pelas caixas soundbar. Recomenda-se apenas que essas caixas sejam instaladas preservando a altura dos ouvidos dos espectadores quando sentados no sofá.
O grande desafio está na simulação surround. Mesmo localizados nas extremidades da soundbar, os alto-falantes responsáveis pela reprodução dos sons secundários (que devem envolver o espectador) também ficam acomodados no mesmo gabinete onde estão os demais, na parte frontal da sala.
O segredo está nos processamentos DSP (de Digital Signal Processing), que simulam a ambientação a partir de atrasos (delays) e cancelamentos sonoros. O resultado é uma suposta reverberação natural (eco), que pode ser beneficiada pelos rebatimentos das ondas nas paredes, reforçando a sensação de que existem caixas acústicas atrás do sofá. Em testes práticos, nossa equipe comprovou que ambientes com paredes simétricas e mais equilibrados acusticamente tendem a ressaltar de fato essa simulação de envolvimento em 360º.
O processador DSP também pode comandar a divisão e a intensidade dos sons de acordo com os falantes, que assumem o papel de cada canal. Com isso, o som acaba sendo liberado conforme as informações contidas no conteúdo exibido. Se o som da cena se passa na parte central da tela (caso dos diálogos, por exemplo) será reproduzido apenas pelo alto-falante central da soundbar; já os tiros que chegam da parte esquerda só chegarão ao ouvinte a partir do alto-falante esquerdo, e assim por diante.

SUBWOOFER
Mesmo capazes de responder bem às altas e médias frequências, as caixas soundbars não atingem o mesmo rendimento na reprodução dos sons graves. As próprias limitações de tamanho de seus alto-falantes já sugerem o uso de um subwoofer externo. Alguns modelos, geralmente dos grandes fabricantes, já vêm com seu próprio sub, que pode até ser um modelo sem fio, reduzindo ainda mais a quantidade de cabos pelo ambiente. Dê preferência às marcas que oferecem subwoofer ativo, para evitar o “roubo” de potência do módulo principal.

Nos demais casos, a escolha do subwoofer, que será conectado ao receiver do sistema, fica a critério do usuário. Na dúvida, procure por modelos da mesma linha da soundbar ou peça indicação ao instalador de sua confiança. 

SIMULAÇÃO SURROUND
Enganar o cérebro! Esse é o trunfo dos fabricantes de caixas soundbar para criar a sensação virtual de que os sons surround surgem na parte de trás (e não na frente) da sala. Imagine um barulho do seu lado esquerdo. O som viaja rapidamente através do ar e atinge o seu ouvido esquerdo: milésimos de segundo depois, chega ao outro ouvido. Além de atrasado, o som perde força do lado direito, devido à dissipação natural da onda e à inevitável absorção pelo corpo ou outros materiais.
É justamente essa diferença de pressão sonora (ILD – Interaural Level Difference) e de tempo (ITD – Interaural Time Difference) que nos faz ter certeza de que o som surgiu do lado esquerdo. O mesmo conceito se aplica às soundbars, que aproveitam as diferenças de volume e tempo para ampliar a sensação de envolvimento. Quanto maior o tempo de atraso, maior a impressão de que o som está sendo reproduzido dos lados; quanto menor esse tempo, mais centralizado será o som.
Mas, para que a simulação seja mais real, é preciso ainda eliminar o chamado crosstalk. Esse fenômeno ocorre quando ouvimos o som de um único canal com os dois ouvidos ao mesmo tempo. Normalmente, o ouvido esquerdo escuta diretamente o som do canal esquerdo e o direito reproduz o áudio com fase invertida (e vice-versa), além dos sons de menor importância dentro da cena. Com o processo físico de cancelamento do som com a fase invertida, apenas os efeitos secundários serão ouvidos do lado direito da plateia, preservando as intenções do diretor durante a elaboração da trilha de áudio.

TOME NOTA
- Antes de definir o local de instalação da soundbar, observe se a caixa não vai cobrir o sensor de IR (sinal infravermelho) do seu televisor, dificultando o comando do aparelho através do controle remoto;
- Não dá para comparar a simulação surround das soundbars com o desempenho de um sistema básico com caixas traseiras independentes. A função das “barras de som” é ampliar o campo sonoro, dando a impressão de que o som se espalha para uma área maior da sala. Mas, como toda simulação, o processo tem suas limitações;
- Se o modelo escolhido não trouxer conexão HDMI, a dica é ligar todos os itens do home theater diretamente no televisor e usar a saída de áudio do TV para conectar-se à soundbar;
- Fixa na parede, a soundbar deixa o ambiente mais leve e moderno. Todos os modelos permitem esse tipo de instalação; a maioria já vem com suporte.

*Texto original publicado na edição 198 da revista HT&CD, de novembro de 2012.